O drama do desemprego Parte III

O médico Rui Nogueira da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, traça um quadro triste da população: “somos um povo envelhecido, pobre, deprimido e ansioso “(Expresso, 2/3/13).

Nem todos os que o consultam estarão certamente desempregados, mas a percentagem não deve ser pequena.

Esta semana soubemos os números (oficiais) mais recentes do desemprego: 17,6%. Infelizmente, acredito que no final do ano já teremos ultrapassado os 20%.

Muitos estudos mostram que a situação de desemprego tem efeitos tão devastadores na psiquismo como a morte de uma pessoa próxima. É uma perda grave: não só de dinheiro como de estatuto, sentimento de utilidade, realização, confiança, auto-estima.

A depressão é a consequência mais provável de uma situação prolongada de desemprego. Os efeitos a nível da coesão familiar podem ser irreversíveis, o que acarreta por sua vez maior solidão.

As pessoas em situação de desemprego involuntário não são párias. Infelizmente, a sociedade revela uma tendência cruel para as tratar como tal.

Recomendo sempre aos meus clientes nessa situação, que pratiquem voluntariado. É uma forma de se sentirem úteis, reforçarem os laços sociais, criar contactos. A experiência de voluntariado é cada vez mais importante num curriculum e os empregadores procuram-na cada vez mais. Longe vai o tempo em que um curriculum assentava sobretudo nas “habilitações literárias” (era assim que se dizia). Agora, é preciso ser criativo. Um curriculum deve poder permitir a quem o lê fazer uma ideia do candidato nas suas várias facetas: como estudante, como profissional, como desportista, como criativo, como cidadão interessado e activo.

Por outro lado, as candidaturas espontâneas são cada vez mais usadas. Tenho verificado, no entanto, que a maior parte das pessoas não sabe como proceder. É inútil mandar e-mails todos iguais a várias empresas. Tem de se conhecer a empresa para onde se quer concorrer, perceber a sua visão do negócio e a forma como se posiciona. Compete ao candidato demonstrar que poderá ser um valor acrescentado para aquela empresa. Pela sua personalidade, pela sua postura, pelos seus conhecimentos, pela sua experiência de vida.

 

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